Talvez não
exista uma área que deixe o homem mais ansioso do que a
área dos suprimentos. Há uma
preocupação natural do homem em relação
ao seu sustento, sua possibilidade de
sobrevivência.
Quantas vezes
nós temos feito de nossa dinâmica de fé
também uma forma de auto ajuda. Principalmente quando
interpretamos do nosso modo o texto: “Posso todas as coisas
naquele que me fortalece”.
Paulo estava vivendo
um momento difícil de sua vida quando escreveu essa carta a
um grupo de amigos em Filipos. Era por volta do ano 64 d.C e ele
estava preso em Roma. Ali, acorrentado junto a soldados romanos,
ele se encontrava exilado de toda ajuda solidária que por
ventura lhe viesse naquele momento.
Mas alguns de seus
amigos de Filipos conseguiram romper o forte sistema de
segurança romana e haviam lhe oferecido donativos
através de um irmão de nome Epafrodito, que foram
muito úteis ao velho apóstolo. Daí
então, ele resolve escrever essa carta, que
poderíamos chamar de “bilhete de
agradecimento”.
Agora fico a pensar o
por que são muitas as vezes em que o discípulo de
Jesus acaba se esquecendo de quem é que supre o
discípulo?
1.
Penso que ele se esquece
porque não contabiliza os ganhos vindos de Deus, se ocupam
apenas em lamentar as perdas.
Quando se
propõe apenas a lamentar as perdas o discípulo se
torna um mal agradecido. Paulo poderia muito bem ser com esta carta
o mais amargo possível, mas os estudiosos concordam que o
tema geral dessa carta é a alegria
cristã.
Se não, repare
no verso 10, “ora, muito me regozijo no Senhor por terdes
finalmente renovado o vosso cuidado para comigo.”
2.
Penso também que ele
se esquece porque ele não atenta para uma das mais
importantes lições do Mestre: a da confiança
na providência divina.
Sempre gosto de
recapitular o princípio da providência divina:
“Além disso, seja qual for o mal que me envie nessa
vida conturbada, Ele o mudará em bem para mim, pois Ele pode
assim fazer, sendo Deus Onipotente, e estando determinado a agir
desta maneira como um Pai fiel.”
O discípulo que
confia na providência divina sabe que nada o
acontecerá se não for para cumprir um desejo radical
do coração de Deus.
A maturidade só
vem quando se entende que o homem é inclinado a ver as
coisas de um jeito ou de outro, tudo dependendo das
circunstâncias. Paulo que já havia sido de
família nobre, agora como apóstolo não se
ressente, não reclama, apenas aprende com a
situação de penúria.
No verso 11 Paulo
reitera que ele já havia aprendido a se contentar com as
circunstâncias em que ele se encontrasse. Essa é uma
expressão que afirma a maturidade do apóstolo.
Maturidade esta só adquirida com os anos vividos. Ele
já havia aprendido a se contentar.
Um filósofo
antigo, chamado Sêneca dizia: “Feliz é o homem
que, em quaisquer circunstâncias em que se encontre, sente-se
contente.” Quero pontuar alguns princípios que
vão nos conscientizar dessa necessidade imensa de nos
contentarmos com o que temos.
Deus não está alheio às nossas
carências. Ele nos conhece, e
sabe de tudo o que precisamos para nossa
sobrevivência. E a
seu tempo nos dará! Essa é a promessa
divina que perseguiu o
apóstolo Paulo em toda a sua vida, até o
momento dele revelar:
“mas eu sei em quem tenho crido e estou bem certo
que é
poderoso...”.
Paulo havia aprendido
a contentar-se não porque aquilo que ele esperava receber
estava demorando demais, mas sim porque ele tinha a certeza de que
a vida dele não pertencia a ele, mas sim ao próprio
Mestre.
Deve haver uma
relação muito íntima entre o discípulo
e o mestre. E essa relação precisa ser forte o
bastante para expressar um cuidado do Mestre em ensinar
lições também usando as circunstâncias
que acontecem na vida do discípulo.
Temos de aguardar o
tempo de Deus para colocarmos as mãos nas ricas promessas de
Deus na nossa vida. O tempo de Deus não é o nosso
tempo cronológico, mas sim, é o tempo oportunidade.
Ele é quem dirige a nossa vida e ele não
descansará enquanto não realizar em nós tudo
aquilo que lhe apraz.
Há pessoas que
só reclamam, murmuram e lamoriam por
tudo. São incapazes de se contentar com aquilo que o Senhor
lhes dá. São como a sanguessuga, de Provérbios
de Salomão, as que vivem dizendo: “dá,
dá, dá.”
No verso Paulo fala
que já havia aprendido a se contentar-se. A palavra
contentamento no grego é autarkes
que reflete a pessoa que é independente
em relação às coisas materiais. Na sabedoria
grega esse homem contente era cheio de plenas energias interiores a
ponto de se tornar auto suficiente em relação
às riquezas, mas para Paulo esse homem era auto suficiente
porque confiava no Deus todo Suficiente.
Por essa razão
ser um descontente é antes de tudo descrer de que Deus seja
suficiente para suprir todas as nossas necessidades.
Sem dúvida
alguma, não aproveitar as circunstâncias da vida para
um amadurecimento em nossa confiança em Deus é
não crer que Deus seja o ser que domina nossa vida por
inteiro. Precisamos crer que Deus é suficientemente
perfeito.
Isso me faz lembrar a
seguinte história:
Havia uma jovem
chamada que - como tantos jovens - gostava de colocar defeito em
tudo o que observava. Certo dia, depois de praticar esportes, ela
sentou-se cansada a sombra de uma laranjeira. Enquanto descansava e
observava a natureza viu ao seu lado um pé de
abóboras, cheia de enormes frutos.
E pensou:
"Puxa vida! Nem Deus foi perfeito como a Bíblia ensina a
respeito da criação do universo. Aqui está um
exemplo bem claro. O pé de abóboras é
tão frágil, os seus ramos são tão moles
que chegam a ficar amassados só com uma pisada. E mesmo
assim produzem frutos enormes".
Olhou a laranjeira sob
cuja sombra descansava e continuou a criticar: "A laranjeira
é uma árvore enorme, com galhos fortes e produz
frutos tão pequenos."
Cansada,
a jovem pegou no sono encostando-se no tronco da
laranjeira. De repente, Bianca levou um tremendo susto. Uma laranja
desprendeu-se do galho e caiu bem na sua testa. Assustada, e com
dor, tratou de mudar de idéia e disse: "Deus, me desculpe
mais uma vez, a tua criação é perfeita
sim!"
A palavra de Deus diz
que Ele é perfeito e cuida dos pássaros do
céu, e dos lírios do campo, e por que não
cuidaria de você, que constitui a criação mais
especial de nosso Deus?
É preciso que
você aproveite as circunstâncias contrárias que
estão acontecendo a você nestes dias para se
perguntar: “Tenho me disposto a aprender em meio a essas
circunstâncias?”. “Tenho procurado viver
independente das pressões financeiras neste mundo tão
competitivo?”.
Agradeça a Deus
pela sua perfeição. Por ter feito as coisas todas em
seu devido lugar. Tudo isso para que você pudesse aprender a
viver de modo contente.
Paulo havia sido homem
de família rica, ele foi doutrinado aos pés de um dos
mais requisitados mestre da época, Gamaliel. É certo
que quando ele aceitou a Jesus Cristo ele foi desertado. O que
equivale a acreditar que ele perdeu absolutamente tudo!
Daí
ele falar que já havia experimentado fartura,
abundância, mas também já ter vivido
situações de falta, fome e necessidades. Na realidade
tenho pra mim de que só há crescimento na vida para
aqueles que já passaram tanto por fartura como por
faltura.
Agora, Paulo nos fala
algo no verso 12 que merece nosso crédito: ele diz que
“em todas estas coisas estou experimentado”. O que vem
a significar estar experimentado?
Não se pode querer vencer sempre. Neste ritmo
frenético de
vida que todos nós levamos, são muitos os
momentos em que
todos nós só queremos vencer. Não
aceitamos o fato de que na
vida não se aprende apenas com os acertos, mas sim
sobretudo
com os erros.
Há
períodos de pronta colheita, e há momentos de seca.
Lembro-me do sonho de José do Egito: sete anos de vacas
magras, e sete anos de vacas gordas. O que não pode
acontecer é no período das vacas gordas não se
guardar o suficiente para garantir a sobrevivência no tempo
das vacas magras!
O “estar
experimentado” de Paulo nos ensina que precisamos de
disciplina para valorizarmos os tempos de conquistas, a fim de que
elas se estendam nos momentos de carências.
Preste
atenção, pode acontecer o que acontecer, mas
não se desencante com a vida!
Ora, só
há arco-íris depois da chuva. Só há
bonança depois da tempestade. Ou confiamos que Deus nos
provê o “algo mais”, ou coloquemos nossas
bíblias debaixo do braço e desistimos desse
negócio de sermos crentes.
Há uma
“graça comum” que Deus derrama sobre todos os
homens em toda a terra. É a graça simples, que faz
chover sobre justos e injustos, fiéis e infiéis.
Agora para os que são de Jesus ele derrama
porção privilegiada da “graça
especial” que é o próprio Jesus em seu
caráter de amor, justiça e verdade. Com isso se pode
crer então que tudo na vida de quem é de Jesus
é dirigida por ele.
Daí eu acredito
que a graça especial é o “algo mais” de
Deus para o homem. É a graça “remove a culpa e
a penalidade do pecado, muda a vida interior do homem, e
gradativamente o purifica da corrupção do pecado pela
operação sobrenatural do Espírito
Santo”.
É a
graça que curiosamente alcança os completamente
perdidos. É a graça que torna melhor do pior dos
piores, e que sara o pior de todos os doentes.
Um crente estava
vendendo exemplares do Novo Testamento em certa região do
Zimbábue, na África. Um dos transeuntes, hostil, lhe
disse: - "Se você me der esse livro, vou enrolar as
páginas dele e usá-las para fazer os meus cigarros".
O crente então respondeu com aquela originalidade que o
Espírito coloca nos lábios dos ganhadores de almas: -
"Está bem, mas pelo menos prometa-me que você
irá ler cada uma das páginas do livro antes de
fumá-la". O homem achou engraçado mas concordou. O
crente lhe deu o Novo Testamento e se foi.
Anos
depois, Gaylord Kambarani, Secretário Geral da Soc.
Bíblica do Zimbábue, foi participar de uma
convenção da Igreja Metodista do Zimbábue.
Sentado no auditório, ficou muito surpreso quando o orador
apontou para ele lá da frente e disse:
"Este homem não se lembra de mim, mas quinze anos
atrás ele tentou vender-me um Novo Testamento. Como eu
não quis comprá-lo, ele me deu de presente - apesar
de eu lhe ter dito que iria usar as páginas para fazer
cigarros. A verdade é que eu fumei Mateus, Marcos, Lucas,
mas quando cheguei a João 3.16, não consegui fumar
mais. Minha vida se transformou naquele momento.
Hoje esse homem
é um evangelista de tempo integral. Dedica toda a sua vida a
mostrar aos outros o caminho da salvação que ele
encontrou na Palavra de Deus.
Sem dúvida
alguma há poder na Palavra de nosso Deus. E quando se encara
os desafios da vida como oportunidades de Deus para nos
experimentar crescemos na consciência de que somos
sustentados pelo nosso Mestre.
Entregue-se nesta
noite ao Senhor Deus de todo o seu coração, sem
reservas, a fim de que ele cumpra em você o “algo
mais” de Deus, o derramamento da sua Graça
Especial.
“Posso todas as coisas naquele que me
fortalece”. Vale a pena acreditarmos que o Senhor é o
grande responsável por nossas vitórias na vida. Por
isso o texto afirma: “Posso todas as coisas”.
São muitas as pessoas que pensam que este “posso
tudo” refere-se à vitórias, conquistas, e assim
imaginam: “posso conquistar todas as coisas...” . Mas,
esse verso não está dissociado de todo o contexto dos
versos anteriores onde Paulo esteve falando de faltas, fomes,
necessidades e tudo o mais. Portanto, o sentido natural do texto
é: “posso suportar todas as coisas naquele que me
dá força”.
O homem por mais que
ele tente não consegue se mostrar suficientemente forte para
se colocar em pé. Ele é um carente de Deus.
Alguém já disse acertadamente que “há no
coração do homem um vazio que só pode ser
preenchido por Deus”.
Por isso Paulo apelou
para a força que há em Deus para se manter de
pé. O texto confirma que Paulo só podia todas as
naquele que o fortalecia. Ora, quem: o
próprio Cristo.
Onde depositamos nossa
fé. É interessante que a palavra
“fortalece”, no original grego é
endunamounti daí vem as palavras dunamis,
e a nossa “dinamite”. A base onde depositamos nossa
fé é tão forte e poderosa quanto uma
dinamite.
Onde você tem
colocado sua fé: em você mesmo, ou em um Jesus que tem
velado por você?
Preste
atenção nesta carta:
Já é
noite!
Como o tempo
passou!...
... Quando você
se levantou pela manhã, eu já havia preparado o sol
para aquecer o seu dia e o alimento para a sua
alimentação. Eu, providenciei tudo isso enquanto
viajava e guardava o seu sono, a sua família, a sua casa.
Esperei pelo seu "Bom dia!" Mas
você se esqueceu. Bem, mas você parecia ter tanta
pressa que eu perdoei.
O sol apareceu, as
flores deram seu perfume, a brisa da manhã o acompanhou e
você nem pensou que eu é que havia preparado tudo para
você. Seus familiares sorriam e seus colegas o saudaram,
você trabalhou. Estudou, viajou, realizou seus
negócios, alcançou vitórias; mas... você
nem percebeu, eu estava cooperando e mais teria ajudado você
se me tivesse dado uma chance; mas... eu sei, você corre
tanto... eu perdoei.
Você leu
bastante, ouviu muita coisa, viu mais ainda e não teve tempo
de ler e ouvir a minha palavra. Eu quis até o aconselhar,
mas você não parou para ouvir. Eu quis, realmente o
aconselhar, mas você nem pensou na possibilidade.
Seus olhos, seus
pensamentos, seus lábios seriam melhores. O mal seria menor
e o bem seria muito maior em sua vida. A chuva que caiu à
tarde foram minhas lágrimas por sua ingratidão, mas
foram também a minha benção sobre a terra para
que não falte pão ou água. Você
trabalhou, ganhou dinheiro, que não foi mais porque
você se esqueceu de mim.
Esqueceu que eu
desejava sua participação no meu reino, com sua vida,
seu tempo e seus talentos. Findou o seu dia. Você voltou para
casa. Mandei a lua e as estrelas tornarem a noite mais bonita para
lembrar-lhe do meu amor por você. Certamente, agora,
você vai dizer um "Obrigado" e
"Boa Noite" ... psiu ... está me
ouvindo? Já dormiu, que pena!
Durma bem.
Eu ficarei velando por
você.
"JESUS"
Esta carta poderia
muito bem terminar assim: “De um Jesus que nunca se esquece
de seus discípulos.”