BÍBLIA E A MINHA DECEPÇÃO COM IGREJA COM PROPÓSITOS  escrito em sábado 09 dezembro 2006 11:56

Angra dos Reis, 09 de dezembro de 2006 "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade". (João 17.17) Em se aproximando o "Dia da Bíblia" parei um tempo a fim de refletir sobre a riqueza escondida nas Escrituras. Passei a semana recolhendo histórias (conferindo as fontes com devido cuidado) de manifestações espetaculares da Graça de Deus através da leitura e conservação da Bíblia em situações muito adversas. Vibrei em saber que na China Comunista há homens e mulheres que preservam textos bíblicos manuscritos, resultados de longas horas de meditação e de esmero, tudo isso para deixar registrado um pouco da Revelação de Deus em um país onde é dificuldada a comercialização do livro santo. A Bíblia é um livro que tem sido perseguido, caluniado e execrado por boa parte da classe intelectualizada no mundo, mas ela tem sobrevido, demonstrando que o seu autor é o próprio Deus e Ele é quem garante que "sua palavra jamais voltará vazia" (Isaías 55.11). Lembro-me de Voltaire, falecido em 1878, que em vida dizia em alto e bom som que a Bíblia seria varrida do mundo cem anos depois da sua morte. E qual não foi a surpresa de seus ainda fiéis colaboradores ao assistirem in loco a transformação da antiga casa de Voltaire em um centro de distribuição de Bíblias. Eu vibro com as histórias do irmão André (o "contrabandista de Deus") que entrava escondido em paises da antiga "cortina de ferro" levando exemplares das Escrituras, passando por guardas extremamente capazes mais que eram cegados pelo Espírito Santo para confundirem Bíblias com tomates!!! A Bíblia é um livro fantástico, e dentre as muitas razões para eu crer nessa afirmativa, é por causa de sua unidade. Nenhum outro livro no mundo inteiro, composto por mais de 100 autores diferentes (sem contar comunidades inteiras que foram não apenas protagonistas, mas registradoras de muitas narrativas) consegue manter uma harmonia tão incrível. A mensagem central da Bíblia é o plano de Deus para a salvação do ser humano que perdeu todo o seu encanto e beleza no pecado, mas que em Jesus adquire novamente o status de "filho de Deus". Não tenho dúvida alguma que o Alcorão, as Vedas, e outros escritos ditos religiosos não conseguem superar o elemento de unidade estética da Biblia. João Calvino se encantava com a estética do livro santo, e ele deixou registrado em suas "Institutas": "Então, na verdade, ainda mais solidamente se nos firma o coração, quando refletimos que à admiração lhe somos arrebatados mais pela dignidade do conteúdo que pela graça da linguagem". Incrível, temos os nossos corações apaixonados pela dignidade, beleza, suavidade e encanto do conteúdo revelativo de Deus. Há dois elementos revelatórios no mundo: a Bíblia e a criação, e em ambos percebemos a glória amorosa e lindíssima de um Deus santo, perfeito, justo e bom. A Bíblia me fascina também no cumprimento acurado das profecias nela registradas. Podemos fazer um estudo dedicado da relação do AT e do NT apenas em termos de "profecias feitas" e "profecias realizadas", e ficaríamos boquiabertos diante de tão grande conteúdo. Em aproveitando o clima natalino poderia falar da profecia maior, registrada em Isaias 9.6: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Principe da Paz". E saber que isso se cumpriu no nascimento do Senhor Jesus, e isso está registrado em Lucas 2.11: "É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor". Eu terminei o meu Bacharelato em Teologia em 1996 pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro. Sai encantado com o conhecimento teológico e já servindo como pastor de uma igreja local já há 03 anos. Amava as Escrituras, me dedicava em pesquisas estafantes e no preparo esmerado de mensagens à minha ainda pequena comunidade de fé. Recebi logo sondagens por parte do Reitor do Seminário, pr. Ebenézer Soares Ferreira, para assumir alguma cadeira no seminário, como professor. Ele me disse apenas: "escolha uma área". Compreendi isso como uma oportunidade para ampliar ainda mais o meu conhecimento. Logo me matriculei na Pós Graduação do mesmo seminário, e travei conhecimento com a forte tendência do método histórico-crítico-social, e tive professores de uma linha bem inclinada a tratar o texto bíblico mais como uma fonte de pesquisa do que uma mina para enriquecimento da piedade cristã. Passei a estudar a Bíblia como um legista disseca um cadáver, enfim como um texto sem vida e sem condições de gerar vida, o que era pior. Não soube administrar as informações neo ortodoxas, e algumas bem liberais, e me vi repetindo em sala de aula como um "papagaio pós graduado em teologia" os ensaios de meus mestres na época. Comecei a lecionar Antigo Testamento em 1997 e passei longos semestres tentando me convencer de questões bem controversas como "hipótese documental" para a negação da autoria de Moisés do Pentateuco, questionamentos sérios em relação aos milagres do AT, estava certo de que Jonas, por exemplo, era um livro parabólico, porque sua história é absurdo aos olhos da alta crítica. Enfim, quase me perdi. Meus sermões eram corretos, mas logo não demorou para eles também começarem a refletir muito mais minhas questões de conforto teológico do que a confrontação mesmo do "martelo que esmiúça a pedra". Em 2002 conheço o modelo de "crescimento de igreja" denominado "igreja com propósitos" e encantado com o método, resolvo levar a igreja a uma transição que, se não fosse pela graça de Deus, teria levado à óbito meu ministério pastoral. Como igreja local alcançamos píncaros incríveis de crescimento, mas como o discipulado é fraco em qualquer "método de crescimento de igrejas", isso eu digo porque o que se chama de "discipulado" lá na realidade é muito mais um conjunto de principios para manter no "cabestro" as pesssoas, de preferência divirtindo-as e dando-lhes muito entretenimento, do que na realidade "todo o conselho de Deus", que quase sempre não agrada aos ouvidos, porque é palavra que discerne bem os pensamentos e as intenções do coração (Hebreus 4.12). O que me aconteceu foi um duro golpe. Em 2005 eu vivi um ano em que a "transição quase mortífera" estava em pleno vapor. Passei a me "enquadrar" aos ditames de "uma igreja com propósitos", com todo o seu caro aparato de revistas, apostilas, eventos pontes, mensagens enlatadas (eu me arrependo de ter pregado muitas delas!), encontros e tudo o mais. Mas, Deus inflingiu a mim um duro castigo. Eu vi a minha liderança dissabar com o surgimento de uma mentalidade liberal dentro da minha equipe ministerial. Um líder bem próximo a mim (desfrutando inclusive de minha amizade pessoal) passou a transitar no meio de nossos jovens, adolescentes e casais com um "novo evangelho". Ele dizia, e encontrava adeptos, de que sexo tem que ser feito com amor (não importa se dentro ou fora do casamento) e outras arbitrariedades na linha da imoralidade. Além disso, ele questionava o conceito neo testamentário de igreja e dizia que todos nós somos pastores e que não se deve prestar contas de vida pessoal a ninguém. Ele costumava referir-se a igreja como apenas um exercicio institucional, nada de vida orgânica de Cristo. Citando seu guru, Caio Fábio, ele dizia: "somos igrejas ambulantes". Que duro golpe! E eu associo diretamente tudo isso que eu passei ao desprezo pela centralidade das Escrituras em meu ministério. E a visão "igreja com propósitos" fragiliza o Sola Scriputura porque defende que a pregação do pastor deve seguir as necessidades dos ouvintes e não o comentário de doutrinas específicas. Hoje eu percebo se eu tivesse olhado menos as necessidades narcisistas de minha congregação e valorizado mais a exposição das Escrituras no trato ao pecado que tão de perto nos rodeia (Hebreus 12.1) eu teria sofrido menos. Talvez não deixaria de perder a pessoa que me feriu, porque Deus poderia perfeitamente tê-lo predestinado para ser um apóstata, mas eu teria sem dúvida alguma, marcado melhor a vida dele com a Vida de Deus! Hoje, eu me alio a meus irmãos reformados. Sou calvinista de cinco pontos. Agora não por modismo teológico. Não sou um xiita, sou apenas um servo de Deus escravo das Escrituras. Sento com arminianos, pentecostais ou não. Agora só não comungo com os liberais e os neo pentecostais com as suas bizarrices, criancisses e esquisitisses. Esse é o meu testemunho nessa véspera de "Dia da Bíblia", no desejo de que, em sendo lido, tudo isso venha conferir "glória a Deus". E como disse João Batista, "importa que Ele cresça e que eu diminua" (João 3.30)
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